Alguém duvidava que a foto seria linda?
Mas alguém acreditava que 98,54% do rosto perfeito seria escondido pelas 54.289 chamadas? Pois é, eu também não acreditava.
O Thiago perguntou num post ali embaixo quem ganha no duelo Ana Beatriz Barros (na Elle) e Raquel Zimmermann (na Vogue), nas bancas no próximo mês. Acertou quem respondeu Isabeli Fontana na capa da L’Officiel Brasil.
... as chamadas editoriais bem que poderiam nunca mais voltar
Vamos aliviar porque raramente a gente espera grandes editoriais da L’Officiel. Então essa dobradinha capa e ensaio de dezembro pegou todo mundo de surpresa. As fotos são de Zee Nunes e André Katopodis, os mesmos que trabalharam em parte das fotos de Carol Trentini na Elle de novembro. E quanto à produção, li no House of Models um comentário que vale repassar: além da pegada rock & roll, o visual parece lembrar Elvira, a Rainha das Trevas, interpretada pela Cassandra Petersonm em 1988.
Vale repetir a dose 2011 inteiro, L’Officiel!
Kate Moss é diva, nível hierárquico superior ao de top model mundialmente conhecida e admirada, em que até pouco tempo atrás ocupava. E, desde então, uma porção de gente bacana da arte resolveu transformá-la merecidamente num ícone moderno.
A revista inglesa Stylist reuniu as mais conhecidas obras na sua próxima edição. O portfólio inteiro é bonito e dá vontade de ver tudo em tamanho real, de pertinho. O problema é que cada arte tá espalhada num canto, com o seu respectivo artista. Vamos torcer pra alguém ter a brilhante ideia de fazer uma exposição em homenagem a Kate Moss, com direito à visita no Brasil?
E esse Paul Normansell parece Vik Muniz, ein?
A edição de dezembro da Vogue México traz a top Alessandra Ambrosio e a sua irmã Vogue Nippon escolheu a representativa (e como) Gisele Bundchen para estampar a sua primeira capa de 2011.
Sem esse Icons Forever ficaria MUITO melhor
A sensação que fica é que tudo é farinha do mesmo saco. A tipografia da edição mexicana é bem similar à brasileira e, por isso, reforça a crença que há um inflexível guideline latino que limita a atuação do time criativo. As chamadas editoriais raramente evoluem, o que é péssimo para a revista, visto que a imagem por si só quase nunca é capaz de garantir uma bela capa.
Pelo menos, todo mundo há de convir comigo que é nítido uma suave evolução da Vogue Brasil. Para fazer um comparativo, separei duas capas da Raquel Zimmermann: a primeira é a da próxima edição, e a segunda é a de outubro de 2009. Em cerca de um ano, as coisas passaram da água para a (o) __________ (preencha aqui a bebida que quiser). Mas eu jamais colocaria vinho na lacuna porque seria muita, mas muita bondade.
Essa capa de 2009 é M-E-D-O-N-H-A
Enquanto isso, a Elle continua fazendo o dever de casa bonitinho, aproveitando a Zimmermann quase anualmente em suas capas e testando com frequência as composições gráficas. E nem sempre o resultado é bom, mas a experimentação merece reconhecimento.
... e a gente acha o máximo quando a Raquel dá as caras nas bancas
Não existe melhor adjetivo para Raquel Zimmerman, do que o do título. Mas vou te dizer uma coisa, essa capa da Vogue Brasil de dezembro não me empolga.
concorrendo com Ana Beatriz Barros na Elle, quem ganha?
A foto de Henrique Gendre é ok, mas a produção é boba, o cabelo é sem graça, e o fundo branco deixa a coisa ainda mais pobre. Tudo bem que quando impressa, a chamada principal e logo serão douradas e reluzentes, mas ainda assim a nova Vogue ainda não diz a que veio.
Não se fala em outra coisa a não ser os atentados dos traficantes e as invasões a favelas do Rio de Janeiro. Em papel de destaque nessas ações: o Bope.
Por falar em ‘Tropa de Elite’ – há! sacou o gancho? -, Maria Ribeiro, a esposa de do Capitão Nascimento nos cinemas, está na capa da Trip, que tem a arte como tema principal.
O ensaio é bonito e tem um ar retro com uma pegada voyer. E eu nunca sei direito o que falar das fotos. Só sei que eu levava Maria a sério demais e nunca esperei que ela pagasse bundinha numa revista. Fui surpreendido!
Tem ótimos momentos em PB também
Na outra capa, Freddie Mercury Prateado com uma cara de quem comeu lírio e bebeu todas com o Amaury Dumbo. A entrevista é surpreendente. Quem diria que o cara - Eduardo Sterblitch – é fascinado por dramaturgia pós-guerra?
Eu sou meicontra esse negócio de ensaio em 3D. Primeiro porque eu acho que fica tudo meio embaçado, meio feio e poucos trabalhos conseguem ser atraentes nesse formato. Daí que eu acho que ensaio conceitual é uma coisa, outra coisa é ensaio deslocado e desnecessário.
Por exemplo, me dá uma justificativa plausível pro ensaio da Riquelme ser em 3D? Naa. Passo.
Mas olha só o ensaio do Daft Punk na revista Dazed & Confused, que coisa mais linda. Primeiro, as fotos são muio bem pensadas, ambientadas e produzidas. O clima de glamour e riqueza retrô é o extremo oposto de tudo o que o Daft Punk é, e apesar de ou justo por isso, eles estão super bem localizados.
Segundo que o Daft Punk é uma banda conceitual o suficiente pra segurar um ensaio conceitual. Terceiro que a dupla francesa acaba de lançar a trilha sonora (FANTÁSTICA) do filme Tron: O Legado, que é o próximo lançamento da Disney, em 3D (fomos convidados pro sneak do filme e ó, vai por mim, SENSACIONAL define).
Posto isso, babemos.
De todos os ensaios em 3D que eu já vi, esse é o mais bonito.
Assim, absolutamente nada contra uma dúzia de famosas que mensalmente estão nas bancas, mas só fazem troca-troca nas capas de revista: em janeiro aparece baranga-sensual e cheia de glíter na Nova, em fevereiro posa meio classuda na Marie Claire, em março fica pelada na Playboy, em abril aparenta ar freak com maquiagem degradê na Gloss, em maio anuncia gravidez de pagodeiro simultaneamente na Contigo, Caras e Quem, e por aí vai.
Confesso que gosto mais quando alguma revista chega com a grata surpresa de uma famosa – aparentemente avessa a tudo isso – na capa de sua edição mensal. Temos bons exemplos dessa linha, em menores quantidades: Lília Cabral na Cláudia, Marina Lima na Playboy, Fernanda Takai na Serafina, Camila Morgado na Estilo e, agora, Fernanda Torres na TPM:
… mesmo descabelada e sem unha feita
Por mais que Fernanda não renda frequentemente notinhas no Ego, há sempre anseio por notícias da atriz. É provável que seja pela garantia dela saber escolher os trabalhos os quais participa – de minissérie da Globo à websérie de sabão em pó. Em novembro Torres tinha mesmo movitos para estar na mídia, pois voltou às telas com a série Amoral da História, no canal pago Multishow. A única queixa é que seria melhor se a TPM acertasse o timing da edição: o programa estreiou logo no comecinho do mês e a edição chegou às bancas por volta da segunda quinzena.
Dando continuidade as coisas boas, a revista consegue fugir do óbvio também na matéria “A mulher é o novo homem?”. Por mais que o título passe aquela sensação de já ter lido isso antes, a TPM propõe o debate entre quatro pessoas com pontos de vista bem diferentes. O resultado é interessante, mas o melhor é que a revista não se mete a grande entendedora e, por isso, não há uma conclusão ou uma resposta clichê. E olha que charme as fotos que ilustram esse papo:
Lembrete pessoal:@ikelag, fazer o bigode amanhã, sem falta
O editorial de moda retoma como sempre o off white como boa pedida do verão, e cai super bem na Fabi Semprebom, por Rodrigo Marques e estilo de Tami Gotoda. Gosto muito da locação, da iluminação, dos enquadramentos e da composição fotográfica. Recomendo que outras mensais guardem esse editorial como referência de ótima produção com verba modesta.
Fabi bem que podia sair do editorial da TPM diretamente pra uma capa da Trip, ein
A seção Badulaques está im-per-dí-vel. Vale citar e linkar as melhores colunas para todos acessarem a benção que é o site da TPM, que disponibiliza tudo digital. Comece a leitura por “O Restart acabou com o nosso direito de usar cor!”, veja depois “Eiketes idolatram o milionário Eike Batista” e termine com “Vamos queimar os sutiãs (infantis!)”.
Curto muito a arte da Tereza Bettinardi
Agora, o baixo do mês vai para o ensaio de João Gabriel Vasconcellos (um dos brothers de Do Começo ao Fim, lembra?), que vai à praia de jeans e camiseta branca. E toda a tentativa da edição de fugir dos clichês é abalada pela declaração-jargão em tamanho 18 e destaque amarelo : “Hoje é tudo pelo gozar, pelo prazer. A pessoa toma drogas para ficar doidona, transa pelo orgasmo. Muito raso. Prefiro buscar a minha evolução. Sem mergulho fica sem graça”. Se tivesse 140 caracteres, servia de tweet pro @tiposdepedante.
Mal aí, mas mergulho de roupa é que fica sem graça
A pior parte de ser colecionador é que chega um momento em que não tem mais espaço em casa. Daí a mãe começa a ameaçar de morte caso você não tire aquele mundo de papel do meio do quarto.
No meu caso, tenho revistas espalhadas por toda a casa. E isso, acreditem, não é figura de linguagem. E claro, não cogito nem por um segundo parar.
E existe um outro ponto a ser colocado. A quase impossibilidade de ter uma coleção completinha, linda, em bom estado. Fora que, como conseguir o número um da Playboy americana sem gastar milhões? Agora é possível.
Uma empresa americana chamada Bondi Digital, em parceria com a Playboy EUA, lançou um HD externo que vem com todas as edições da revista lançada até este mês.
O HD tem 250 GB de armazenamento, custa US$ 299,95, e vem com as mais de 100 mil páginas publicadas ao longo dos 56 anos que a revista circula.
A Playboy não é a primeira revista a fazer este tipo de parceria com empresas de tecnologia. Em 2009 a National Geographic lançou um produto similar, com todo o conteúdo de mais de 120 anos de publicação.
Infelizmente para nós, brasileiros, o HD só está a venda no Estados Unidos. Mas sempre tem aquele amigo que mora na gringa e pode enviar via Fedex.
(Desculpem pelo trocadilho péssimo no título, mas não resisti)