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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Que seja a primeira!

Em tempos de Felicianos, Joelmas e Malafaias, ter uma artista do porte de Daniela Mercury saindo do armário é algo que deve sim ser observado e celebrado. A grande mídia brasileira, há algum tempo, tem mudado sua visão da causa LGBT, deixando de dar espaço apenas para cenas caricatas e sexualizadas tão típicas de paradas gays e mostrado a naturalidade de quem vive um amor homossexual.
Daniela anunciando-se casada foi algo tão bombástico que, além de destaque no Jornal Nacional e no Fantástico, ambos da TV Globo, ganhou as capas de Veja e Época desta semana. Além de mostrar que um mesmo tema possibilita duas abordagens gráficas completamente distintas, essa coincidência aponta para outro caminho: após derrapadas homéricas – ainda não nos esquecemos das cabras –, a imprensa tem se esforçado para mostrar a naturalidade do amor homossexual.
Analisando as duas capas, graficamente acho equivalentes, e nenhuma das duas é bonita de fato. Veja sai em vantagem por ter uma foto inédita em suas mãos, mas Época aposta em uma experimentação gráfica mais expressiva e, talvez por isso, tenha uma capa mais forte. 
Mas, no que tange as chamadas – estou falando apenas das chamadas, pois ainda não li as matérias –, acredito que Veja faz uma abordagem mais abrangente e necessária sobre o casamento gay – seria uma tentativa de apagar o mico das Cabras? Não vamos esquecer daquilo, né?. Época parece trazer apenas uma matéria sobre a artista, resumindo sua fala a um ato de liberdade, mas esquecendo de ampliar a discussão e relacionar com o momento que o país tem vivido.
Torço para que estas sejam apenas as primeiras de uma série de matérias que trazem celebridades brasileiras assumindo sua sexualidade e mostrando que ser gay é normal e não motivo de vergonha.  Com exemplos públicos e engajados, acredito que conseguiremos caminhar para uma sociedade mais justa e feliz. Ah, e cheia de amor, claro!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Casamento Igualitário para todos

A edição #51 da atual "temporada" do quadrinho X-Men ainda não foi lançada mas está movimentando os sites especializados em entretenimento e o motivo não poderia ser mais nobre: o mutante Estrela Polar – que há pouco assumiu-se gay que é assumido há muito tempo – irá casar-se com seu namorado. 
A capa é linda e traz os noivos durante a cerimônia, com vários outros mutantes participando do evento. 
Para quem está curioso, os roteiristas já adiantam que a cerimônia irá tomar conta de toda esta edição e que nem todos os mutantes serão favoráveis ao casório. E ah, o pedido foi feito na edição #50 e da maneira mais tradicional possível, olha aqui em baixo.
Mudando um pouco a direção do post, CLARO que nós adoramos esse posicionamento dos roteiristas do quadrinho – inclusive, muito bacana isso aparecer tão próximo ao pronunciamento do Obama – e somos favoráveis ao casamento igualitário para todos. Inclusive é muito bacana que esta manifestação tenha acontecido primeiramente nos quadrinhos dos X-Men. Afinal, a história dos mutantes sempre fez uma referência clara aos grupos marginalizados e perseguidos pela sociedade conservadora, sejam gays, negros ou judeus...
Ah, e como já falamos aqui, não tem #nadaErrado em ser gay.

update:
O Ricardo (aka @laranjudo) acabou de contar que existe uma capa alternativa para o casamento do Estrela Polar. E oh, linda a ideia e foi feita pelo Phil Noto!

Além do espaço para você colocar sua foto, tem o casamento do Estrela, da Tempestade, do casal Richards, do Quarteto Fantástico, do Namor, do Mercúrio e do casal-problema Homem-Formiga e Vespa – porque a gente adora um barraco – e, finalmente, Jean Grey e Ciclope.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ponto para a TRIP!

A Trip sempre foi aquela revista ousada que mete o dedo na ferida e, felizmente, não deixou esses tempos de politicamente correto contaminarem sua redação. 
Em meio a tantos comentários e manifestações sobre direitos gays, ver uma capa masculina com dois caras se beijando é praticamente um grito de liberdade. Além, claro, de ser uma boa demonstração de que homossexuais não precisam de guetos. Têm sim suas preferências, seu estilo de vida característico, mas estão plenamente inseridos na sociedade.
Uma salva de palmas para Trip e sua belíssima capa. E que esta seja a primeira de muitas demonstrações de respeito vindas das redações de revistas nacionais. Chega de ser piada, né gente?


Ah, também tem a capa do pessoal peladinho. Que, por sinal, é lindona!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Conversa Séria

A gente já postou a loirinha, a gordinha, o feioso, a transex. Quem lê o dasBancas sabe que a gente apóia a diversidade, seja ela de idéias, religiosa, política ou sexual. Por isso, aqui sempre teve espaço para todo mundo dizer o que pensa e concordar ou divergir sobre tudo – até por isso, somos seis pessoas escrevendo este blog.

Mas, acima de tudo, o dasBancas apóia o respeito e a tolerância. E não pode ficar calado quando um gay, lésbica ou transgênero é morto a cada dois dias, num país onde os crimes deste tipo crescem 31%, pelo menos entre 2009 e 2010, como aponta o Grupo Gay da Bahia (GGB). Ah, e no mundo, não existe lugar onde se assassine mais homossexuais do que no Brasil.

E a impunidade só cresce. Sem leis que criminalizem a homofobia, as agressões passam em branco e fazendeiros e filhinhos de papai permanecem sem arcar com as conseqüências, enquanto lâmpadas são arremessadas a esmo, enquanto a felicidade é incompreendida por pura ignorância e poucos se mexem para reverter esta situação.
O texto a seguir foi extraído do blog Projeto Sou Gay.. Decidimos publicá-lo aqui também porque acreditamos que todos somos iguais. Temos direito de amar, dividir e viver. Viver sem medo, sem precisar de esconderijos e mentiras.

O @dasBancas sempre prezou pelo respeito a todos e agora não seria diferente.

gay

Sejamos Gays. Juntos.

Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Tarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.

Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.

Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.

E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.

Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.

Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?

Quero então compartilhar essa ideia com todos.

Sejamos gays.

Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY

Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:

1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY

2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com

3) E só :-)

Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo YouTube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.

A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.

Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.

As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.

Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.

— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —



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