Existe um problema no mundo gay: o preconceito. Não, não é o preconceito externo, dos "não-gays" para com os gays. É o preconceito interno, dos nichos gays entre si. Assim, a bicha pintosa não anda com as lésbicas masculinas, que não trombam com as barbies, que não curtem os ursos. As vezes tenho a sensação que a tal ~comunidade trava uma série de lutas separadas quando deveria lutar apenas uma.
Isto posto, a impressão que eu tenho da H é que ela é uma revista que luta apenas por um grupo e, claramente, despreza alguns outros. A proposta da revista é ser voltada para um público mais adulto, se propõe a ser - e ser levada - mais a sério. Ok, isso é ótimo, acho mesmo que o mercado precisa de um olhar como esse, já que as publicações gays nacionais hoje ou são de "ensaios eróticos" (G Magazine) ou são voltadas para um público jovem demais, quase pós-adolê festivo (Junior).
A H quer ser uma espécie de Trip, TPM, só que gay. Com ensaios sensuais e textos mais profundos. Ela consegue isso? Consegue, mas em partes. A revista tem textos bacanas, não fala apenas de pegação, não é superficial. Tem entrevistas incríveis e artigos bem escritos.
O único ensaio segue a proposta da publicação, não tem ~erotismo direto, é sensual sem ser explícito - nem pau duro tem. Sensual assim, é bonito, mas não me despertou o MENOR interesse. E olha que o modelo, Fabricio Ternes, é bonitão.
Mas a H tem um grande problema: ela é feia. Parece que, para se resguardar de uma possível comparação com a Junior, o design da H é tosco, pobre. Simplista. A impressão é que, para ser uma revista séria, é preciso ter um "design sério" o que, infelizmentem prejudica demais a publicação, porque ao invés de séria ficou com cara de amadora.
Uma tristeza visto que a equipe criativa é comandada pelo André Fischer, sensacional, e tem nomes como Francisco Hurtz e Carlos Pazzeto.
Voltando ao começo do texto, fica a impressão que, para ser um "gay adulto e sério", é preciso deixar para trás qualquer resquício de felicidade e diversão. Mais uma vez, o gay mais velho não conversa com a gay jovem.
Fica a dica: dá pra ser adulto, responsável, sério e, ainda assim, bonito, fresco e divertido. Como a vida deve ser, afinal.