O ensaio principal da Playboy de outubro com a Mulata Difícil do Zorra Total não é nada fácil de ser tragado. Ou melhor, é tão fácil, mas tão fácil, que chega a incomodar. O trabalho fotografado por Marlos Bakker é simplista, lugar comum e sem graça. Não exige nada do leitor de Playboy e não traz nenhuma imagem memorável.
Já que a tal Mulata frequenta o Metrô do Zorra, fizeram uma capa super adequada para a personagem e um ensaio na contra-mão do que todo mundo esperava. Sim, ainda sou do tipo que espera relação entre capa e conteúdo. Sou do tipo que se assusta ao ver uma capa fria, com brilho de metal, e um ensaio ambientado em um espaço de madeira, antigo, quase como uma cena de época.
Mas, apesar disso, o pior do ensaio não é apenas a dissonância entre capa e conteúdo. Fico assustado ao ver que escolheram um cenário que praticamente camufla a modelo. Um erro parecido com o de maio – Jaque do BBB – mas sem o mesmo requinte ou cuidado com iluminação. As fotos não têm contraste, são manchas marrons que nada favorecem para a contemplação da modelo e, por isso, a empolgação do leitor. Uma pena.
Que Desirée Oliveira não é uma modelo das mais experientes a gente já sabia, só não imaginava que a direção do ensaio fosse tão fraca. A mulata aparece dura, desconfortável e sem um pingo de sensualidade em quase todas as fotos – gente, o que é aquela mão dura, sem lugar? Falha da equipe e não da moça, que estava na posição mais vulnerável do set.
No atual cenário da nossa Playboy – que divulga a ex-BBB Cacau para sua capa de novembro e faz um teaser da irmã da esposa do vice-presidente para a capa de dezembro, quase um ano depois do gancho –, este ensaio é perfeitamente aceitável. Sem grandes investimentos, sem grandes emoções, sem grandes estrelas. O reflexo de uma Playboy que tem vendido pouco e agradado menos ainda.
Nem parece com a revista cheia de tesão que circulou nas bancas ano passado.