terça-feira, 20 de outubro de 2009

Crônicas de um ciclo fechado

Em 1999 a cantora Marina Lima se rendeu ao convite de posar nua por indicação do seu terapeuta. A ideia era aumentar a auto-estima e fugir de uma depressão. Na entrevista dessa edição histórica, Bob Wolfenson, o melhor fotógrafo do país e o responsável por muitos dos momentos mais célebres da PLAYBOY. Um ensaio especial como o de Marina recebeu, a convite da própria, um texto da jovem escritora Fernanda Young.

"Não sei quando as palavras se tornaram necessárias, mas acredito que foi num momento em que as imagens falharam em dizer tudo. Sei que não é o caso, agora. Assim, deixo meus olhos livres, como os seus, a buscar revelações que ainda não perceberam. Escritores não devem ficar na frente de uma nudez como essa, disfarçando sua verdade."

No mês seguinte, em sua edição recorde de vendas, a PLAYBOY brasileira publicou na sessão 20 Perguntas uma entrevista com a tal jovem escritora.


Quem vê a imagem acima (e mais de 1 milhão de pessoas a viram) até imagina se tratar de um período pré tatuagem. Mas na verdade Fernanda já contabilizava mais de 11 espalhadas pelo corpo, e uma delas teve atenção especial na reportagem:

PLAYBOY: E quando é que você vai mostrar aos leitores de PLAYBOY aquele outro livro, o desenho que você tem tatuado no ventre:

FERNANDA: [Sorri, com ar entre divertido e malicioso.] Quando me fizerem uma proposta [ri]. Não é minha intenção, entendeu? Agora, eu acho pop, acho engraçado.

Menos de três anos depois, com o sucesso de seus roteiros para tv e cinema, é a vez de Fernanda encarar a entrevista da PLAYBOY e ser o segundo assunto mais importante de uma edição. A imagem é forte e vem sem aspas dessa vez. Passei a revista pra frente, junto ao "Aritmética" pra uma amiga que se diverte e se identifica muito com as declarações da escritora.


Não sabemos ao certo quantas propostas foram recusadas até o resultado do que veremos dentre de alguns dias. Nem se houve alguma resistência. Mas é fato que, exatamente 10 anos após se admirar por Marina Lima, Fernanda Young conclui o seu ciclo com a PLAYBOY, coloca o dedo na cara dos recalcados e quebra muitos dos nossos padrões distorcidos.

10 comentários:

Anna Cristina Almeida disse...

Um pelada, que é escritora. Um nu militante, em 2009. Um post emocionado, sobre uma revista masculina. Muita contradição, grandes expectativas e o máximo de sensações. Seria absurdo se não fosse Fernanda Young. Seria incompreensível se não fosse o Greg. Bjs, da @pretafalapramim fazendo a @pretafaleiprati

Leho disse...

Ótima citação, ótima comparação, ótimo texto. Parabéns Greg!

samprofeta disse...

Lembro que nesse 20 Perguntas a Fernanda Young meteu o pau na Xuxa. E foi super polêmico na época. Lembro que a Fernanda dizia: "Ela já ganhou dinheiro demais! Chega, vai dar um pouco...". Kkkkkkkk!

Pablo Diassi disse...

A Nanda faz considerações positivas e negativas sobre a Playboy no "O Efeito Urano", um dos seus romances. Mas as coisas mudam. Como ela mesma disse, ao justicar o ensaio, 'na literatura me exponho muito mais'. Sinais dos tempos, ao menos para mim, vê-la se justificar. Coisa que antes não fazia. Nem se procupava em fazer a linha gente fina e simpática. Faz tempo que descartei a Fernanda Young. Fico com a Nanda, a dos emails carinhosos, dizendo para eu não desistir de publicar; a Nanda dos livros e essa sim: sempre realmente livre e gostosa.

onewaymonologue disse...

Num dos textos dela, um dos meus favoritos, ela diz:

"Os ritmos estão muito hedonistas, falta paciência. As pessoas terminam os relacionamentos porque querem grandes excitações."

Ela acaba por dizer sobre a rotina, e a falta de paciência das pessoas ante a quebras de expectativas. E é justamente isso que vejo nessa espera por esse ensaio. Talvez ele não quebre os nossos padrões distorcidos, mas retrate uma mulher muito diferente mesmo do que costumamos ver.

Ela me lembra os fins de domingo, pra um começo de uma nova semana. Uma nova semana, com novas coisas na cabeça, sempre.

Seu texto ficou lindo. beijos, Poulain

Leandro disse...

E depois de, praticamente, tirarmos a sorte no palitinho, Greg resenhará a tão aguardada PBY de novembro. Ansioso pra ver o post. Abç!

GnER disse...

Ficou muito bom o texto e sei que vai render muita polêmica ainda essa edição da PBY, mas n era isso que todos queriam?

Eu tb adoooooro!

:D

Leonardo Valle disse...

Greg, de quais "padrões distorcidos" você está falando? Ela vai ser maquiada pelo Duda Molinos, fotografada pelo Bob e terá uma equipe de Arte fazendo um esforço imenso para deixá-la gostosa. Se há algum padrão distorcido, com certeza ela está fazendo um super esforço para se encaixar nele.
Acho a Fernanda Young uma falacia. Opiniao pessoal. Léo!

Poio disse...

Tudo bem, o texto enrolou legal, mas uma imagem, ou melhor, duas, valem por mil palavras. Nao adianta recorrer `a ideia de "polemica", o que existe e rejeicao pura e simples a esse ensaio.

Marcio Ramos disse...

Uau, "padrão distorcido", qual? Ave cruz, esta mulher é feia pra diabo; o Bob errou, o papinho dela é aborrecente, e sei lá, a revista vendeu? Aff...

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