Em tempos de Felicianos, Joelmas e Malafaias, ter uma artista do porte de Daniela Mercury saindo do armário é algo que deve sim ser observado e celebrado. A grande mídia brasileira, há algum tempo, tem mudado sua visão da causa LGBT, deixando de dar espaço apenas para cenas caricatas e sexualizadas tão típicas de paradas gays e mostrado a naturalidade de quem vive um amor homossexual.
Daniela anunciando-se casada foi algo tão bombástico que, além de destaque no Jornal Nacional e no Fantástico, ambos da TV Globo, ganhou as capas de Veja e Época desta semana. Além de mostrar que um mesmo tema possibilita duas abordagens gráficas completamente distintas, essa coincidência aponta para outro caminho: após derrapadas homéricas – ainda não nos esquecemos das cabras –, a imprensa tem se esforçado para mostrar a naturalidade do amor homossexual.
Analisando as duas capas, graficamente acho equivalentes, e nenhuma das duas é bonita de fato. Veja sai em vantagem por ter uma foto inédita em suas mãos, mas Época aposta em uma experimentação gráfica mais expressiva e, talvez por isso, tenha uma capa mais forte.
Mas, no que tange as chamadas – estou falando apenas das chamadas, pois ainda não li as matérias –, acredito que Veja faz uma abordagem mais abrangente e necessária sobre o casamento gay – seria uma tentativa de apagar o mico das Cabras? Não vamos esquecer daquilo, né?. Época parece trazer apenas uma matéria sobre a artista, resumindo sua fala a um ato de liberdade, mas esquecendo de ampliar a discussão e relacionar com o momento que o país tem vivido.
Torço para que estas sejam apenas as primeiras de uma série de matérias que trazem celebridades brasileiras assumindo sua sexualidade e mostrando que ser gay é normal e não motivo de vergonha. Com exemplos públicos e engajados, acredito que conseguiremos caminhar para uma sociedade mais justa e feliz. Ah, e cheia de amor, claro!




